quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Repetições mórbidas são visíveis, porem insensíveis.
Não cabe a mim a função de analisar, mas reparando bem me debato em um diálogo entre eu e Ana. Opiniões distantes concretas. A sensação de solidão em meio a multidão.
A conclusão mais ridícula parte de mim sempre.
Ana tem os olhos abertos para o mundo, eu, desenho palavras e julgo alguns absurdos.
Seria óbvio me juntar a Ana, mas ela é mais esperta do que se pode notar. Ela foge. Ela é de difícil entrosamento.
As vezes dizem que ela finge, mas ela diz que apenas representa. A resposta está sempre na ponta da língua.
Faz frio e quando eu me lembro dos meus medos Ana chora. Ah! Ana, ora, ora.

Um comentário:

Tiago Abreu disse...

perfeito, se eu entendi bem... algo inacessível vindo de você foi exposto neste texto... queria saber o que se passa aí, mas, quando você representa parece tão óbvio que, por isso mesmo não pude chegar a uma conclusão. mas de alguma maneira isso me incomodou, é visceral, intimista, parece Clarice Lispector... eu, aqui, como expectador dessas letras aí expostas, seria também algoz? eis minha dúvida, mas minha intuição diz que sim e ao mesmo tempo é mais que isso... que será, então: "repetições mórbidas"; me deixou inquieto, com uma interrogaçÃO na alma, me fez rever meus atos ultimamente... estaria ele insensível quanto a Ana... o a dialética "ela e Ana"... será que ele está distante dela a ponto de não perceber os seus detalhes? será que o olhar de Ana perdeu o foco no horizonte distante? e será que ele ainda toca sua alma quando acaricia sua pele? são muitas dúvidas suscitadas por essas palavras enxutas e afiadas, tão precisas que chegam a cortar... e sangra.