quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Rotina Noturna

Paloma pinta as unhas de roxo.
Quando o relógio aponta 02:00 da manhã ela se levanta e vai até a cozinha tomar um copo de suco.
Usa uma pantufa verde e arrasta os pés durante todo o corredor.
Seus cabelos negros caem sobre seu rosto e descem até a cintura. Entrelaça os dedos no cabelo e dá um nó bem forte, nó tipo marinheiro.
Belo rosto. Ela caminha de volta ao quarto, mas não vai sem antes abrir a porta da sala de jantar e sentir o sereno, dar um suspiro bem forte e abraçar sua cachorrinha que se mantém ali estática esperando uma manifestação de carinho.
Volta para o quarto, já são 02:33, o silêncio está como ela gosta.
Na escrivaninha está tudo espalhado, livros, escritos, livros e livros... adora, ela adora.
Acende a vela, ajeita o porta-retrato, e antes de se deitar na cama, ajeita o quadro que sempre fica mais caído para um lado (o esquerdo).
É são quase 03:00.
Deita e se acomoda debaixo da colcha, nada melhor que seu quarto. É um tipo de biblioteca, um descanso, um recanto espiritual...
05:50!
O rádio-relógio desperta, toda manhã na mesma estação...
Levanta, acende teu cigarro, traga seu cansaço. Poucas vezes sente medo, sua alma arredia desbrava cada dia com calma e alegria.

Um comentário:

Tiago Abreu disse...

lindo, amor. adorei sua escrita em prosa, sua narração e descrição são tão envolventes... a "alma arredia" de Paloma... imaginei perfeitamente ela com seus cabelos negros até a cintura e a casa e a sala. belo e triste.