sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Lembranças de pouca idade...

(JOseANINHA, vestida para um piquenique)

Eu sempre fui apaixonada pela natureza, e já disse que seria veterinária quando crescer. As coisas mudam mesmo. Só não muda o meu amor pela natureza, eu sou louca por animais, plantas... e já fui obcecada por joaninhas. Sim! JOANINHAS. Eu tinha uma "amiga vizinha" que nasceu no mesmo ano que eu, que tinha uma vovó igual a minha e que se chamava Ana também. Passamos a maior parte da infância juntas, e foi lá na fazenda dela que eu aprendi oque era a terra, a chuva, os animais... fiz balanço, colhi jabuticaba e me apaixonei por um pé de Amora. Lembro-me que de longe eu avistei aquele pé de galhos largos cheio de pontinhos roxos, e achei lindo, nunca tinha visto nada igual... Quando eu cheguei perto, embaixo do pé de amora, parecia gigante, eu olhava para cima e via uma imensidão de galhos e cachinhos de uva miniaturas, tão delicado... Ana (minha vizinha) esticou o braço, pegou uma amora e colocou na boca. Eu espantada perguntei:
- É de comer?
- Claro! É uma delícia, docinho... prove, pegue uma!
Eu fiquei desconfiada, e juro que fiquei com um pouco de dó também, achei tão lindo, tão delicado, pensei que não fosse de comer. Não comi. Disse que ia provar depois.
Todo final de semana a gente ia pra fazenda, mas teve um dia em que eu fui sozinha, a Ana tinha ido visitar as primas dela em outra cidade. Cheguei e logo sai correndo pra xeretar tudo, igual eu sempre fazia. Mas logo eu vi o pé de amora e fui correndo pra debaixo dele. Parecia imenso, na minha lembrança eu caminhava de uma ponta a outra como se fossem metros de distância. Aquele pé era mágico, e cheio de vida. A primeira Joaninha estava subindo um galho, com uma mala nas costas, a mala era vermelha com bolinhas pretas, eu nunca tinha visto uma Joaninha, só em desenhos. Fiquei deslumbrada e comecei a procurar sua família, seus amigos... Acho que estava tendo uma festa, estavam todos lá. Cada uma com o seu estilo, tinha algumas
com vestido branco e bolinha bege, vestido preto com bolinha branca, tinha uma tão invocada que usava um vestido furta-cor! Elas voavam também de galho em galho. Eu dei o dedo pra ajudar uma delas a ir na casa de uma amiga, e ela foi tão carinhosa comigo que fez carinho com suas antenas... tão pequenininhas... Eu fiquei o dia todo em baixo do pé de amora, e fiz amizade com todas as Joaninhas. Nunca tinha visto pequenas tão estilosas e delicadas. Peguei várias amoras e levei pra casa. Comia cada uma bem devagar, morria de medo de pensar que ia acabar, e que eu só ia poder comer mais semana que vem. Sentia tanta falta das Joaninhas que com minhas idas e vindas da fazenda levei umas pra morar comigo, e passava horas escolhendo a melhor folha para o jantar delas. Montei uma criação de Joaninhas, eu e minha outra amiga Júlia ficávamos horas por dia cuidando delas, só observando toda aquela simpatia que elas tinham. Nem me lembro da última vez que comi amora, e Joaninha devo ter visto uma há anos atrás. Quando eu me mudar pra uma casa, quero plantar um pé de amora pra todas as minhas Joaninhas voltarem pra lá, vou colher amora todo dia, e dar para os meus filhos provarem. Eu já encontrei o meu Amor. Ele já encontrou sua Amora! Que saudade dos tempos de criança...

3 comentários:

Criiis ;) disse...

Ah que delícia de texto!
Me fez lembrar da minha infância também.. Eu tinha uma amiga, a Sandrinha, e a vó dela morava na minha rua.. E como era gostoso passar as tardes na vó dela, lá tinha um jardim enoooorme! A gente brincava tanto, até buraco até o japão a gente escavou! E no final da tarde, sempre tinha um bolo quentinho pra gente..
Como é bom ser criança né!
(se bem que acho que muito de mim ainda é mesma Cristina de 10 anos atrás..)

Beijo!

Juliana Caribé disse...

Esses tempos de criança dão saudade mesmo...

Não tenho muita recordação da minha infância, mas as que tenho deixam sempre um sabor de nostalgia na boca. (e de amora também, que também fez parte da minha meninice.)

Beijocas.

(pinte telas lindas, e mostre-me todas, tá?)

Tiago Abreu disse...

eu vi esse filme passando na cabeça,
aquela cena da menina esticando a mão para alcançar a fruta; a dimensão ampla, gigantesca da árvore; quando a gente era criança tudo era tão imenso, incomensurável!
seu humor é irresistível.
lembra quando você disse "outro dia a gente... a fruta de amora"?!