sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Durante a descida,
consigo pensar tanto
e o mais surpreendente
é como meu pensamento faz reviravoltas.
Saõ vários questionamentos
e perguntas que eu tenho a resposta,
mas faço questão de duvidar
pois ter certeza eleva muito o ego
e na altura da ansiedade
é preciso ter muito, muito cuidado.
É confortante ter liberdade
e o alívio de tirar os pés do sapato
após várias horas de trabalho
é um sentimento emocionante
sim, emocionante!
Bom é dividir. Dividir tudo.
Até mesmo
o cabelo sujo,
o corpo suado,
a unha surrada,
os olhos cansados,
o bocejo,
o cheiro de cigarro,
os lençóis
e a cama,
a maior culpada
de todo dia eu acordar e começar tudo denovo.

Um comentário:

Tiago Abreu disse...

por Zeus! que impacto te ler assim...
você escreveu com uma força, não terá quebrado a ponta do lápis???
quanto a fazer "questão de duvidar",
Fausto te responde "não tenho escrúpulos, nem dúvidas me assolam".
sua psicologia também assusta pela clareza da formulação, pois com certeza, não duvidar, gozar da plena convicção e certeza infla o ego. mas o ego é o centro da concsiência, então, antes cedo que tarde, ele se equilibra com outras forças inconscientes... enfim, prefiro a sua poesia...

este poema tem o ritmo da descida: ele começa "durante a descida", e acompanha a descida do sol, terminando na cama onde tudo começa outra vez quando o sol subir...

linda, mui bella...