quinta-feira, 13 de março de 2008


eu pressiono os lábios, continuo franzindo a testa e meus olhos ardem como se estivessem banhandos em pimenta forte. o tempo passa lento e frio, e a chuva não me alegra. sento-me no canto da cama, e tento achar uma maneira de sair daqui. todas as portas estão abertas, mas quando eu chego no ponto de saída o coração fica pesado, as pernas bambas e eu fico até doente no mesmo instante. a mochila aberta, algumas roupas mal guardadas. você queima um incenso, e eu acendo um cigarro na expectativa de parir alguma palavra, frase, algo que mude tudo. talvez apareça uma solução. eu só quero ter o direito de não pensar, se está certo ou errado, se é o melhor ou o pior... o cansaço toma conta. mas eu não quero me acomodar.




In a Manner of speaking
I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing

In a manner of speaking
I don't understand
How love in silence becomes reprimand
But the way that i feel about you
Is beyond words

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
That tell me everything

In a manner of speaking
Semantics won't do
In this life that we live we only make do
And the way that we feel
Might have to be sacrified

So in a manner of speaking
I just want to say
That just like you I should find a way
To tell you everything
By saying nothing.

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Ohohohoh give me the words
Give me the words
That tell me everything

Ana.

5 comentários:

Juliana Caribé disse...

A imagem é perturbadora. Assim como suas palavras. Vê-se que elas saíram à fórceps: aborto nada espontâneo.
Uma verborragia doída e intensa.
Se as portas abertas te causam náuseas, talvez não seja ainda a hora de ir. Talvez seja preciso ficar mais um pouco, entender mais um pouco. Ceder mais um pouco. Acomodar-se mesmo mais um pouco. E descansar. A jornada é longa, sabe?
Incenso e cigarro: as fumaças se misturam, e talvez o cheiro acre que sai dessa miscelânea é que te enjoe.
Por que não tenta apagar cigarro e incenso e abrir a janela? Refrescar-se com ar puro e inspirá-lo até que ele preencha seus pulmões maltratados pela fumaça.
Talvez apareça uma solução. Talvez você mesma seja ela.

(escrevi um texto para você, vou colocá-lo, depois no Quintal).

Beijoca.

Juliana Caribé disse...

Seu texto está lá, a sua espera.

Beijos.

Sabrina disse...

Oi Ana, adorei aqui!
Adorei demais os teus escritos!
Peço para linkar o "delicada & arredia" no meu blog... posso?
:)
um beijo...

Camilinha disse...

Eu já senti isso infinitas vezes, vou te falar...
Como um olho cheio de areia, sem coragem para esfregar, e doída de piscar...

gostei muito.

beijos daqui...

Lúcia disse...

Sabe que, com muita freqüência, tudo o que eu quero é o direito de não pensar, não julgar e não me preocupar? É que a vida às vezes fica tão pesada...

Gostei muito do seu cantinho, virei mais vezes, e apareça sempre viu!

Beijos