(...) – bem, como vai você? levo assim, calado
de lado do que sonhei um dia
como se a alegria recolhesse a mão
pra não me alcançar
poderia até pensar que foi tudo sonho
ponho meu sapato novo e vou passear
sozinho, como der, eu vou até a beira
besteira qualquer nem choro mais
só levo a saudade morena
e é tudo que vale a pena
quinta-feira, 29 de maio de 2008
segunda-feira, 19 de maio de 2008
caminho com a saudade...
.: algumas lembranças me deixam confusa diante dessa falta. como eu tinha pouca idade, as vezes me pergunto, se realmente aconteceu, ou se eu estou aumentando ainda mais essa saudade. naqueles últimos dias em que visitei você, meu coração batia bem apertado aqui dentro, e as lágrimas caiam de tanta dor, dor de ser inútil naquele instante, de saber que nem se eu lhe desse a mão (como antigamente) você ficaria de pé, seria uma tentativa sem solução igual a de falar, dar bom dia, perguntar se está tudo bem e esperar uma resposta tua, você só respondia com os olhos, e seu olhar trazia muita tristeza, dor e despedida. nessas horas os pensamentos torturam, e o arrependimento é algo inevitável. mas chorei foi de saudade, em momento algum de arrependimento, porque você já faz falta e mesmo daquela forma difícil em que você estava vivendo, você estava ali presente, e eu com todo meu egoísmo ficaria feliz se por toda eternidade você continuasse ali, para que eu pudesse pelo menos resmungar algumas palavras, perguntar se você fez a barba, pedir a benção, ou perguntar do jogo de futebol que passou ontem na televisão. foram anos, entrando em casa e repetindo as mesmas palavras: sua benção! quando eu estava de saída gritava: sua benção! fica com Deus! e ouvia já bem baixinho, perto do portão: sua benção minha filha, vá com Deus! tanta saudade. gostava de sentar em seu colo, e pegar as balinhas de hortelã naquele bolso mágico, com balinhas e alguns trocados, que de vez em quando eu também ganhava pra comprar papel de carta. você passava o dia todo jogando dama comigo, me ensinou cada truque, e o mais importante sempre me deixava ganhar! e eu sempre acreditava e ficava toda orgulhosa achando que tinha aprendido tão bem, que nem você ganhava mais de mim. já fui atrás de você na praça, já briguei porque tinha tomado todo meu danoninho, já chorei porque tinha batido nos cachorros... sempre lhe dei a mão para ajudar a levantar da cadeira, sempre peguei um copo de água bem gelado pra você beber, sempre mudei o canal da televisão e deixei você assistir o jornal, ou seu futebol preferido. naquele dia, no hospital em que fiquei segurando sua mão e você abriu os olhos pra mim, soube que era temporário, e entendi que você voltaria apenas pra preparar um pouco mais nossos corações. descanse, como um grande homem merece. você se foi em paz, e deixou muita saudade. guardo na lembrança aquela nossa foto, em que coloquei uma peruca cabeluda na sua careca e um berimbau na sua mão... eu com aquela cara de muleca, e aquela saia ridícula de vaquinha. que saudade vovô, pra sempre saudade :.descansou na quarta - 14/05/2008 23:00
segunda-feira, 12 de maio de 2008

ontem eu cai,
mas o bom senso
amorteceu a queda
quebrei algumas partes
caminhei um pouco manca hoje pela manhã
quer cobrar sensibilidade?
meu tom de voz é gélido
e o mesmo frio que sopra minhas palavras
está morando aí dentro de você
então, cala-te
espera algum milagre?
já está criando raízes
- gélido

- do Lat. gelidu
- adj.,
- muito frio;
- muito frio;
- enregelado;
- enregelado;
- glacial;
- glacial;
- fig.,
- insensível, paralisado.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
segunda-feira, 5 de maio de 2008
na eterna busca, em torno de seu próprio eixo, em torno de seu apoio, dentro de sua própria direção. o que é felicidade pra você? quando as luzes se apagam, sua sombra companhia te diz algo sobre moral? alguém te cobra uma postura póstuma? quando jogam-te no mundo, não lhe ditam os perigos, e nem o dom de enxergar espíritos ruins. a maldade veste prada, é coberta de beleza, enche os olhos no primeiro instante. mãe, ouço seus sussurros, bem baixinho soam em minha lembrança, quero eu gravar todos esses ditos, e começar denovo, quero segui-los, tu és sábia, e eu meninaquerendosermulher já menosprezei várias vezes seus dizeres tão importantes. olha, as panelas estão sujas na pia, e se eu estiver com preguiça eu durmo com fome, porque as roupas, ah! as roupas tem que ser penduradas no varal. semana passada, molhou todo sofá, e já faz uns 6 dias que uso a mesma calça jeans. ontem mesmo, enquanto varria a sala, pensei em juntar poeira embaixo do tapete, mas não tem graça, eu mesma que vou ter que limpar depois. não é simples. as vezes ouço uma voz bem longe, e entro em casa correndo pra abraçar não sei quem: ninguém. na grande falta do que falar, escrevo, escrevo bastante, mas nem sempre arrisco a deixar alguém ler.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
é por isso, que o quadro estava torto
quebrei o único espelho:
mais 7 anos de azar?
não.
nada de procurar um significado pra tudo
aceito que algumas coisas EXISTEM.
esse sonho não traz morte
nem dinheiro
não vou ser tia, nem mãe agora.
eu ando assim pelo quarto
eu ando assim em mim
perco a chave, o chão
perco o começo e o fim
penso que isso foi por causa daquilo
e aquilo foi culpa disso
sintomas de saudade
quase sonhando
acordo no susto
hoje não quero explicação
olha,
hoje,
eu apenas
EXISTO.
* estava sem internet, fiquei sem postar uns dias, e sem ler meus blogs preferidos. Obrigada por comentarem sempre, essa semana quero ler tudo que perdi por aqui!
sexta-feira, 18 de abril de 2008
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Espontâneo.
é uma entrega.
sem espaço no tempo.
dou o melhor de mim.
existe um tempo particular, um relógio que pulsa, pulsa em ritmo nosso.
sem exigir certezas.
eu quero caminhar com o sol na pele, e sorrir em meio ao caos lembrando da noite passada.
suplício de lembranças boas.
Blogagem Coletiva contra o Analfabetismo
Dia 18 de abril, dia Nacional do Livro.
Dia da nossa Blogagem Coletiva contra o Analfabetismo.
Pegue o selinho, ajude a divulgar. Participe.
Mais informações no blog Saia Justa.
Dia da nossa Blogagem Coletiva contra o Analfabetismo.
Pegue o selinho, ajude a divulgar. Participe.
Mais informações no blog Saia Justa.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
então não se faz medo aqui dentro
bom é sonhar a altura de um abismo
ter a certeza de olhos fechados
e saber que a certeza é cobra criada
arrisca e morre envenenada
porque é bom mesmo
viver com o frio na barriga
pisando em lugares incertos
tendo de conquistar quem se ama
todos os dias
abraçando a incerteza
e evitando só as palavras doces
viver com as sílabas rudes
crescendo sem proteção
bom é sonhar a altura de um abismo
ter a certeza de olhos fechados
e saber que a certeza é cobra criada
arrisca e morre envenenada
porque é bom mesmo
viver com o frio na barriga
pisando em lugares incertos
tendo de conquistar quem se ama
todos os dias
abraçando a incerteza
e evitando só as palavras doces
viver com as sílabas rudes
crescendo sem proteção
sexta-feira, 11 de abril de 2008
teus olhos transparecem a aurora
desnudam essa alma
fotografam essas expressões
brincam com meu desejo
eu vivo assim
aconchegada no teu carinho
respirando teus sonhos
pulsando junto com tuas veias
quieta esse peito arredio
conforta essas idéias ansiosas
leva. protege tudo. tens o dom
até teus beijos são poemas
desnudam essa alma
fotografam essas expressões
brincam com meu desejo
eu vivo assim
aconchegada no teu carinho
respirando teus sonhos
pulsando junto com tuas veias
quieta esse peito arredio
conforta essas idéias ansiosas
leva. protege tudo. tens o dom
até teus beijos são poemas
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Cheguei aqui na agência hoje, no meu cantinho, e fiz o de sempre. Tomei meu cafézinho, recebi os mimos da Conceição e vim pro computador trabalhar. Um loucura! Aquela correria, recebe isso, aquilo... e eu gosto muito de assistir tudo isso de tão perto. Alguns se matam por tão pouco, outros quase nem se esforçam mais, e por aí vai. Meus planos são longe daqui, mas eu sei muito bem valorizar meu momento, é necessário e prazeroso até. Ultimamente, nos meus quase 20 anos, tudo é mudança, e perda também, mas muito ganho, muito. Ontem na praça, no projeto "Na porta da casa", Luís Dillah retornou a Uberlândia e fez um lindo show pra gente. Não podia ser melhor, encontrar pessoas queridas, tomar aquela geladinha, conversar até, ah! e ainda, literalmente na porta da minha casa. O próximo Quinta de 1a promete... semana passada o Naldo Luiz encantou, deixou todo mundo babando, quando subiu no palco e fez jazz com aquela sanfona linda, foi inacreditável! Ai... chega maio! chega! tantos projetos, tanta coisa boa! Sexta-feira, dia 11/04, inaugura o lindo Bonsai Arte Bar, nunca vi nada parecido, coisa fina, eu já tô lá! É isso... tem tantas novidades, a gente vai colocando aos pouquinhos...
Vou colocar aqui, um poema antigo meu, eu tinha uns 13 anos quando escrevi, e eu gosto dele demais, lembra tanta coisa vivida, que ainda vive, tanta força...
Ana.
Vou colocar aqui, um poema antigo meu, eu tinha uns 13 anos quando escrevi, e eu gosto dele demais, lembra tanta coisa vivida, que ainda vive, tanta força...
Levanta...
O dia estanca
a noite desmancha
O lápis na mão
corre a folha e
descreve a andança
O dia estanca
a noite desmancha
O lápis na mão
corre a folha e
descreve a andança
7 dias. 7 vidas
o gato preto
cheira a melancolia
a sala de estar
abriga a mania
de achar que amanhã é outro dia
o gato preto
cheira a melancolia
a sala de estar
abriga a mania
de achar que amanhã é outro dia
Mas o corre é o mesmo
e até debaixo do chuveiro
se faz contas nos dedos
Nas mãos o desespero
e a música toca a certeza
de saber que amanhã estarei cometendo o mesmo erro.
e até debaixo do chuveiro
se faz contas nos dedos
Nas mãos o desespero
e a música toca a certeza
de saber que amanhã estarei cometendo o mesmo erro.
Ana.
terça-feira, 8 de abril de 2008
hoje eu levantei pra vir trabalhar, o som despertou com aquela música gostosa, e parecia respirar primavera... fiz toda a dança matinal, peguei a bolsa e quando peguei o livro e entrei no elevador, olhei-me no espelho, e me lembrei da querida Clarice:
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante.
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