Pouso
pele veludo branco, macieira dos sonhosme acompanha teu lírio tristonho
se o colibri ainda voa longe
eu parada peço pra ficar
a murcha-flor assusta o pássaro que a beija
o rosto que se aproxima não quer nem deseja
chora beija-flor, não estás sozinho
não foi só tu que perdeste o ninho
canto fugaz, doí e não é efémero
uma dose de veneno, comprimido
quanta gente por aí não terá
a metade de todo poema que o mundo faz
eu espero, deito-me na janela
cante suas dores, liberte seus amores
estou com aquela saia e a flor no cabelo
pousa nos meus ouvidos, tudo ficou no lugar.








